O lado lindo do esforço.

Quem me conhece sabe da minha incapacidade de ficar parada. Há duas semanas, mais ou menos, torci o pé e o médico me disse: “Marcela, você precisa ficar de repouso”. Eu apenas o encarei, sorri, e uma semana depois estava na Bienal do Livro andando de um lado para o outro, sem parar, divulgando Aprendendo em Seis.

Antes de tudo, sigam as orientações de seus médicos, eles sabem o que dizem e agora entendo perfeitamente bem isso. No entanto, focaremos aqui no tema de hoje: “realizações de sonhos”.
Vivemos em um mundo tão imediatista, querendo tudo para ontem, que às vezes esquecemos e depreciamos uma virtude: o esforço. Vivemos tanto em uma sociedade carpe diem, em que temos que ser felizes agora, temos que ter resultado agora, que esquecemos completamente que nem tudo acontece no agora. O resultado disso?! Uma baixa tolerância a frustração.

E foi nessa semana que me dei conta disso. Graças a Deus, a Bienal para mim foi um sucesso! Conheci pessoas maravilhosas, revi pessoas maravilhosas e claro, divulguei Aprendendo em Seis. Porém, foi nessa semana, com o pé latejando e a bota ficando cada vez mais apertada com o inchaço, que percebi o quanto o esforço é bom e desvalorizado.

Cada vez que dou um passo e sinto o pé doer, penso que foi por uma boa causa, me lembro da semana e sorrio. Sorrio porque o meu esforço valeu a pena. Digo isso porque muita gente esperava que ficasse sentada e que as pessoas viessem até mim, isso nunca ia acontecer. Não por enquanto! Hahaha. Não sou famosa, ninguém me conhece, eu precisava correr atrás das pessoas. E foi exatamente isso que fiz.

E claro que nada disso aconteceu só comigo. Na semana da bienal, também percebi como sou cercada por pessoas maravilhosas. Começando com minha família, que pacientemente me esperou lá na feira o dia inteiro e me apoiavam, depois, pelas minhas amigas. Essa amizade, para mim, é uma fonte de orgulho. Porque elas acreditam em Aprendendo em Seis, acreditam em mim, acreditam no Projeto e toda vez que peço ajuda é muito melhor dizer que somos quatro cabeças pensantes do que uma. Além disso, elas passaram o dia inteiro ao meu lado, mostrando o livro para as pessoas e divulgando. Se eu tive sucesso na bienal, não foi somente por mim, foi principalmente pelas pessoas que me acompanharam. Por isso, todas as noites, agradeço a Deus por ter me dado tantas pessoas queridas e especiais. Obrigada pelo esforço de vocês!

Voltando ao assunto, é nesse mundo imediatista que percebemos como o esforço é importante e principalmente “doloroso”, doloroso porque muitas vezes não é divertido, semana passada, cada vez que voltava para casa me perguntava se o que fazia era loucura, já que meu pé latejava de dor. Por exemplo, no vestibular, passamos praticamente um ano inteiro nos preparando para uma prova, e cada vez que precisamos ir ao colégio no final de semana, ou que precisamos fazer um simulado, percebemos como esse esforço pode ser chato, quando estamos em um emprego que não gostamos, mas precisamos do salário momentaneamente, percebemos como o esforço pode ser irritante, quando estamos no colégio, naquela aula chata que não gostamos, percebemos como o esforço pode ser entediante, e quando tentamos estudar para aquela prova e achamos que não entendemos a matéria, percebemos como pode ser frustrante.

Mas está aí a questão: a vida precisa ser chata em algum momento. Não temos que ser felizes e sentir prazer a cada segundo, essa ideia que a sociedade produz é uma mentira, uma ilusão. Como dito no filme Divertida Mente, a gente precisa se frustrar, a gente precisa ficar triste, a gente precisa ter esses sentimentos vistos como “negativos” para então entender os “positivos”, para dar valor, para realizar sonhos.

Mas, felizmente, chega um momento em que começamos a valorizar o esforço, acho que o meu momento foi quando publiquei Aprendendo em Seis e depois comecei os projetos. Alguns percebem isso na época do vestibular. Outros quando conseguem guardar dinheiro para comprar aquilo que tanto queriam. De todas as formas, aprendemos que o esforço é uma das melhores qualidades que podemos ter, pelo simples fato de que quando você está na bienal, quando passa no vestibular, quando o final de semana chega, quando entende a matéria, quando recebe o reconhecimento depois de tanto trabalho, você percebe que todo o esforço valeu a pena. E que, às vezes, é melhor que seja chato.

Além disso, criamos memórias bem engraçadas, como eu e minhas amigas iguais a sardinhas enlatadas no banco de trás do carro na volta da Bienal, da gente no restaurante no final do dia e meus pais tirando fotos, das histórias comédias que vivemos. O esforço fez parte de nossa história.


E você?! Qual foi o seu momento de glória?! 

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